domingo, 13 de maio de 2012

Presente do Mudando de Assunto

Essa semana o MA completará seus quatro aninhos!
O dia do Sorteio od Livro ta chegando aí...
Mas antes disso, como uma maneira de agradecimento, preparei um presente singelo para os participantes inscritos no sorteio.

É só clicar no seu nome para baixar o arquivo, e podem ficar sossegados que não tem virus nenhum!
Quem estiver sentindo dificuldade para baixá-lo, me avisa que eu envio por email:

RENATINHA CAPINAM
CAMILA RAGAZZI
JAMILY OLIVEIRA (Mily Docinho)
PRISCILA INACIO
RÉGIS CALHEIRA
DAYANE ALVES
FRANCISCO CONSTANTINO (Francisquices)
GLEIDIANE SALES
JESSICA DA HORA
JORGE DE JESUS
JULIANA NARDYN
KARINA QUEIROZ
BRUNA BATISTA
CARINE LEMOS
DAIANE ISIDÓRIO

Espero que gostem do presentinho, fiz com muito mas muito carinho...



DIA 17/05 O SORTEIO SERÁ REALIZADO E O RESULTADO SERÁ POSTADO AQUI!
FIQUEM LIGADOS!

sábado, 28 de abril de 2012

4º Aniversário do M.A.

O Mudando de Assunto está fazendo seu 4º aniversário.
E dessa vez quem ganha o presente é você, caro leitor...


 O que vai rolar?
Vamos sortear um livro.

Como participar?
1º Deixando seu comentário informando a postagem que mais gostou.
2º Deixando seu email para contato.
3º Sugerindo um assunto pra uma proxima postagem (opcional)

P.S.: Para quem estiver tendo dificuldade em deixar o comentário por favor enviar email para lq.21@hotmail.com com o assunto: MUDANDO DE ASSUNTO.

Quando será o sorteio?
Dia 17/05/2012

Quando o prêmio será enviado?
No momento em que o ganhador informar os dados para envio do livro.

Pedido especial:
O Ganhador deverá enviar uma foto com seu prêmio para publicação no blog.


domingo, 15 de abril de 2012

Poema-Vergonha

Pobres meninos-homens,
Vestidos em seus retalhos
de pouca carne
Excomungados com seus canivetes
abertos e fechados
ensanguentados e enferrujados.

Coitados, pobres coitados
coitados e probres
usados ou não.

Donos de nossa repulsa,
da minha, da sua.
Cavalheiros de nosso preconceito
Pré nojo, pré medo, pré asco
Pobres coitados maculados
Doados à não-educação.

Meninos moleques
de rasteira pronta
de malandragem fervida.
Donos de minha alergia
De toda a chaga do mundo
Viventes da linha de fora
Sobreviventes de toda sarjeta
Muitos, pequenos, indesejáveis.

Meninos coitados
sujos, por dentro, por fora,
por baixo das unhas, por dentro dos pêlos.
Sem escapulário.
Sem escapatória.
Pivetes que me ilustram a escrita.
O pesadelo e só.
Meninos que uso a distância,
Uso em letras e desuso em ações.
Vergonha de poema!

Coitadas crianças,
pobres dentes estragados,
pobres coitados
solicitados por mim à distância.

Pobres quase homens
que para mim podem morrer,
caso queiram.
Já que também matam
se quiserem.

Homenzinhos sem nome
Sem carteira de identidade
De rostos iguais e digitais fechadas
Pobres, pobres coitados!

Eles não cabem em minha oração.



(Por: Livia Queiroz)

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Particionando

Falamos tanto em Deus, em nosso Deus. Desprendemos tanto tampo de nossas vidas em nome do amor, nosso amor, o de carne, o sexual e esquecemo-nos quão maior e soberano é o AMOR, o que vem pra gente em forma de Luz.

Aí vamos ficando moribundos, reclamando que amamos sempre as pessoas erradas. Vamos estocando mágoas por causa desses amores mal amados, dessas perdas, desventuras. Vamos adiante reclamando com Deus nossa falta de “sorte”, e nos achamos no direito de oscilar na fé.

Deus, assiste a tudo, entende tudo, conhece tudo dentro de nós, e talvez, em sua magnífica
sabedoria diz apenas o quanto se entristece por nossos atos e pensamentos embora compreenda o quanto precisamos evoluir.

No que diz respeito à mim, tenho tentado não me sentir diminuída por perdoar a quem por algum motivo, tenha me ferido o ego; nem em pedir perdão a quem eu tenha machucado na mais sombria luta de existência.

Por conta disso, tenho tentado ficar mais próxima de Deus, tenho tentado melhorar-me no Amor e na relação de amor que tenho com Ele, para só então cair no estágio de plenitude que só os sentimentos mais puros são capazes de proporcionar. Ando exercitando, da melhor maneira que posso, a minha percepção de Deus, a minha causa, a minha essência nessa busca. Hoje não há mais esse ou aquele desespero, não sinto angústias, nem medo do que há de vir, só o corpo que ainda dói às vezes, resultado de umas energias acumuladas.

A Paz vem vindo aos poucos, e essa mania de querer Deus e não fazer nada para estar perto Dele, há de se findar. Essa estratégia hipócrita de dizer “Deus é comigo” sem nenhum espaço dentro do coração para que Ele habite está por chegar ao fim.

Nesse encanto, nessa serenidade, nesse “desempenho” de Deus e do meu grande Amigo-Anjo, repouso em paz os dias que se seguem. E é só isso que me interessa.



Por: Livia Queiroz

domingo, 8 de abril de 2012

Ponti'(agudos)


Cravo-te a boca em meus espinhos
(pedaços que não ouso te mostrar)
e bebo do teu sangue em saliva.
Quente escorre na ponta de minha lingua
teu sal e os teus globulos protetores que agora me pertencem.
Desprezo por instinto os arredores.
Somos só nós
em carne em pêlo,
pelo mundo e pela poeira de vida obliqua.
São os nossos pontiagudos que se perfuram
pra encaixar,
grudam-se derradeiras verdades por toda a extensão da carne alcançada,
somos de pó de pés,
de pois e, sobretudo, de algum talvez
que na hora final é carne sangue e só saliva.


Por: Livia Queiroz

Na foto: Nanda Bastos & Max

quarta-feira, 28 de março de 2012

Claridades

Menina,

Acorda. Acorda rápido. Pára de descrever caminhos, experimentar fórmulas.
Vive. Apenas vive.

Não dá pra esperar tanto pelo diferencial de alguém, pela resposta que pode não vir, nem pela previsão de futuro.

Não chora menina, aprende com os erros, com os acertos, com os jeitinhos que a vida simula e a gente executa. Sempre tem um jeito.

Caramba, não te acabrunhes.

Lembra de teu Sol que, quente como é, mostra partes escondidas das sombras.
Lembra de teu ser que, simples como é, entende quantas poesias podem haver no contexto de futuro.
Lembra de teu ego, teu brio, teus Anjos, tua fé.

Você ainda lembra de Deus?
Não chora menina, não é te acomodando que sairás dessa letargia. Cura-te!

E as coisas seguem, sempre pra frente, do jeito ímpar de se ser...




Por: Livia Queiroz

domingo, 25 de março de 2012

Oscila-te

Para uma pessoinha que teve uma passagem linda na minha vida há 04 anos atrás. E só hoje entendo coisas que eu sempre julguei com maus olhos.

É estranho, mas eu acho que gosto, você me pede umas cartas mesmo depois de termos nos deixado, mesmo sabendo que não há mais razão nenhuma, motivo nenhum, que as coisas tristes já passaram, que as pessoas todas já se acostumaram com o fato de nossas vidas não fazerem mais belas sincronias.

É como saber que, mesmo dando tudo errado, você ainda exige explicações, respostas e exige que alguém me faça feliz. E não suporta a idéia de ainda sentir seus ciúmes faiscando os olhos. É como se eu entendesse que, de alguma forma, por algum motivo, você desejasse o melhor pra mim. E não é um melhor do tipo genérico, é um melhor mais específico cujos detalhes e critérios só você sabe e eu por mais que me esforce não consigo alcançar o tipo de seleção de bom e ruim que você faz ao escolher as coisas que vão pra minha vida.

A gente anda se entristecendo à toa, e eu sei disso, porque, embora tenha te deixado partir com suas mágoas, sinto o que sentes mesmo que esteja há anos luz de distância. E sei que meus motivos não cabiam na sua lógica, mas ainda não aprendeu que a decisão que tomo pra minha vida tem que ser minha? Ainda não entendeu que somos completamente diferentes e sua razão não acompanha o que tenho por minha felicidade. Eu quero estar feliz, e não me anular.

A gente anda se entristecendo, como eu ia dizendo, você por estar onde está, como está. E eu... quanto à mim, minha querida, não sei explicar essas oscilações, mas sei que você saberia num piscar de olhos me mostrar o que há. Eu sinto sua falta, sinto falta da estrutura de cada frase, da presunção, até da arrogância às vezes exacerbada.

Mas fui eu quem deixei você ir assim, cheia de coisas por dizer, se eu tivesse insistido em falar o que eu deveria talvez restasse hoje um pingo de bondade de sua parte, e você pudesse, ao invés de dizer que estava certa o tempo todo, dizer o quanto se importa, e que era tudo medo de me ver doída de novo e não conseguir me proteger.


Por: Livia Queiroz

terça-feira, 13 de março de 2012

Carta de Tudo

Torna-te de repente tão familiar, tão intrínseca à todos os pedaços de mim...

Parece fazer parte de meu clã de ancestrais ou quem sabe sejas a parte gêmea a mim ocultada durante tantas eras.

O que sei, ou melhor, o que tenho descoberto, soa como se já possuísses meu mapa e um método que leva a caminhos meus...

És grande parte; és imenso tanto de tempo; és chaves de caminhos mais longos, difíceis e belos. Mas és, sobretudo a força da dignidade que emana para os meus poros a certeza da fé que possuo: em Deus, em mim, em nós. Cravo-te em mim todo dia não como um critério, mas como uma afirmação do que á cada dia fazes brotar dentro de mim...



(Por: Livia Queiroz)

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A-Briga.

Dentro do quarto a ala cinza se estica com facilidade. Entre os corpos há uma fronteira invisível que oscila entre o hostil e o desconfortável. Ninguém se des-culpa... A culpa vem sempre do lado oposto.

Dedos em riste acusam-se opostos sem sequer pensar à respeito. Derramam as “quebras” escritas com sangue. Olhos vermelhos e sempre molhados fuzilam-se em meio à penumbra de tantas acusações, à tantas falhas apontadas repentinamente.

Murchas, as rosas, que a tudo assistem abismadas, começam o autoflagelo. Pétala por pétala. Como é misterioso o mundo dos amantes!

Por horas e horas e horas o ar é cortado por verbos ameaçadores e monstruosos adjetivos de fundo proibido de gaveta. Como é tortuosa a vida de quem ama!

O primeiro corpo, exausto, senta-se na cama buscando alguma energia e segurança, ou repouso talvez. Tomba a cabeça pra trás, olha pro alto e procura por Deus. Um soluço comprimido concorda (com) e rasga o resto do que já foi dito. As mãos tentam abafá-lo inutilmente.

O segundo corpo também exausto sugere que cada um siga pelo caminho que achar melhor.

O primeiro corpo, o exausto número um, concorda dando de ombros, mas não se move...

Ficam lá, os dois, o primeiro sentado de costas para o segundo que permanece de pé. Ficam assim, ensaiando despedida. As temperaturas dos corpos começam a voltar o normal e sobra um pouco de dor de cabeça.

Depois de algum tempo, o segundo corpo também desaba na cama, covarde, coitado! Sem coragem e sem vontade de desmontar os sonhos. Como num balé mal feito, ambos se deitam. A energia do quarto amante se encontra pesada demais para meros mortais estafados. Coitados!

O primeiro se encolhe. Tem medo... medo...

O segundo se cala. Tem vergonha... apenas isso...

Tempos depois, vem a brisa calada do fim da tarde levar toda a sujeira gritada no ambiente recente-cinza. Um último raio de Sol ilumina os olhares que se encontram como se fosse a primeira vez. Tudo é novo. Tudo é silêncio. Tudo é de novo amor. De repente. Nada é dito, apenas caem da cama as roupas sujas de palavras em lama e os corpos novamente puros dão de beber às quase mortas rosas.

Como é perigoso o mundo dos amantes!


(Por: Livia Queiroz)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Burla-os

É isso aí, os velhos versos voltaram – mesmo tendo eu dado a eles um tempo (indeterminado) para se recompor, ainda assim, ingratos ou insensatos ou entediados, eles voltaram – e vieram já riscando as paredes de meu corpo...
Eu não quero falar a respeito, não quero que ninguém saiba, não quero fazer alarde, nem ser vítima, nem covarde, nem ser “à mais” no meio de tantos comuns...
Mas esses velhos meus conhecidos, os versos, procuram as brechas que por displicência deixei no meu intacto, por conta de uma estafa que acometeu meu coração.
Logo agora que havia desistido da poesia... Logo agora que fiz um pacto sujo, e troquei todos os possíveis versos para ter minha alma de volta... Logo agora que estava quase lá, quase mais que próximo...
Pedi a Deus a racionalidade pura ao invés da companhia dos pingos de chuva e de sua representação literária, mas aí, Ele me prega uma peça e manda novamente o sutil, o emaranhado, o confuso, a agonia. Isso deve ter um motivo, um por que...
Mas eu não quero que ninguém saiba.
Ainda dói dói dói falar disso, pensar nisso, lembrar disso. Não é insuperável, e eu só quero seguir adiante, e quando a gente quer muito e quer com todas as forças, a gente consegue sem perceber. Talvez porque a magia seja algo uno e inerente a qualquer ser banhado de sumos de fé. Ou talvez simplesmente, porque é Deus quem sabe o que faz e nós achamos que somos parte de um caminho quando na verdade um caminho é parte nossa.
Mas eu não quero falar á respeito.
Quero burlar esses versos, e isso que me vela noites e mais noites será sorrateiramente apagado antes de ser escrito.
Cara,eu não sei mais o que dizer, mas Deus sabe o que faz!

Por: Livia Queiroz

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Epílogo nº 09

Eu queria, de repente e só um pouco, que passasse essa saudade ou que ela mudasse o sentido e que você fizesse alguma coisa (qualquer coisa) para isso acontecer. Que me cuidasse e me ajudasse a passar esse meu “sentir só” dos últimos tempos. Eu não estou infeliz. Não mesmo! Só estou com saudade e acho que estou um pouco triste...

Mas apenas isso: queria que acontecesse partindo de você.

É isso! Precisa acontecer. E agora, não me refiro ao sumiço de saudade. Refiro-me ao restante, à luta pela “não monotonia”... ao que parece esquecido.
Esqueci como é isso, como funciona, como tem que ser. Caramba, esqueci e talvez você também... E quando eu esqueço, honey, fica uma dúvida em relação aos desenrolar dos fatos. Mas os fatos não mentem. E as mentiras não surtem efeito.
Preciso de outra razão e de outra nova solução.

Coisas que “não foram” em momento oportuno, também não serão agora que os cadeados se fecharam e as chaves (todas elas) enferrujaram.



Por: Livia Queiroz

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Epílogo nº 8

São algumas dessas coisas tristes.
Você diz: "Vai ser feliz! Se livra de mim. Vai ficar tudo bem!"
Mas aí você pensa: "Caramba, eu queria passar o resto de minha vida com ela", mas percebe que não consegue mais. Qu talvez não haja mais jeito, nem disposição.
Sobe um nó na garganta, o peito n encontra ar e a única coisa que te passa pela cabeça é correr e abraçá-la com toda a forçaa que possui. E entende, por fim, o que o FIM quer dizer, ou melhor entende o que O FIM quer dizer pra você.


Por: Livia Queiroz
Em: 03/01/2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

Túnel de Tempo

Ao meu Avô Jaime Queiroz.

Por tudo que ele representa no que, só depois de algum tempo, eu aprendi a definir como vida.

Antes eu não era exatamente feliz.

Mas não era um “não exatamente feliz” com essas definições prontinhas e soltas por aí. Era um entorno singular...

Eu colecionava solidão, mas sem nenhuma tristeza por isso, sem dor ou reclamação, e hoje sei que o fazia apenas com poesia. Antes – que só agora começo a me recordar – eu fazia versos em recortes de revista, em almanaques, em álbuns de figurinhas... E fazia uns poetiscos – que é como eu chamo os meus poemas pequenos da infância – fazia poetiscos de cabeça, jurando que no dia seguinte ainda me lembraria dele e escreveria. Mas eu ainda nem sabia escrever e o único poetisco que me lembro foi um que eu nem fiz... O do dia que eu vi, pela primeira vez, o girassol (que sempre esteve ali) de minha vó:

- Um Girassol! – exclamei.
- É. Bonito né? – disse minha avó – Mas não pode mexer senão ele não vai conseguir mais enxergar o Sol.

Lembro-me que depois disso, meus olhos se encheram d’água. Eu pensei:

“Que Triste!
Gostar tanto do Sol
e ficar olhando pra ele o dia todo.
O Sol queima os olhos.
Isso é muito triste.
Eu nunca ia gostar tanto assim.”

Pode não parecer, mas havia entre eu, minha avó, meus olhos com lágrimas e o Girassol, uma poesia pronta para brotar. Uma angústia linda perpassou o meu peito, eu lembro como se fosse hoje. E nem as palmeiras, nem as florzinhas, nem as outras plantinhas do pequeno jardim de minha avó me causaram tanta curiosidade. E acho que, por causa disso, e por não ter encontrado uma resposta em poesia, Girassóis me emocionam até hoje.

Eu não tive o que se pode chamar de momento único. Todos foram antes. Não tive um tempo de criança exatamente feliz, nem exatamente triste: corri, caí, dancei, inventei, e até hoje tenho o meu avô... E até hoje o cheiro do colo dele é o mesmo cheiro que sinto quando salta, de trás da porta do meu “todo eu de hoje”, o tal do bichinho em larva de codinome saudade. E foi o meu avô que me ensinou sem usar palavra nenhuma quantos tons a vida possui, sobretudo, nos fins de tarde dos domingos.

Um dia, ainda na parte menor da vida, percebi que quando chovia o meu peito apertava e eu me sentia adequadamente pequena e descontente com algo que eu julgava ser culpa do Girassol. Imaginava que talvez ele o Sol tivessem brigado, e esse segundo decidira “dar um tempo”. Ou quem sabe o Sol estivesse de “saco cheio” de ser espiado por milhões de Girassóis em todo canto. Meu coração ficava espremidinho e cheio de dor quando chovia e a única coisa que queria era a minha cama. Só, muito tempo depois, eu descobri que eu não era a única a caçar esconderijo quando vinha chuva, e aprendi também (com meu avô e o cheiro do colo dele) que a chuva servia.

Para mim, todas as chuvas... Todas as quedas... Todas as correrias... As travessuras... E os tempos no colo de meu avô me mostraram um poema que eu jamais conseguirei sequer rabiscar. Esse poema está dentro de mim agora enquanto escrevo tudo isso e ele deixa que meus olhos se molhem e vez ou outra eu solte um riso de canto de boca e um suspiro em verso para diminuir a frustração por não conseguir escrevê-lo e para confirmar a não exata felicidade que vivi naquele tempo. Todos esses “coloridos retalhos”, são, na minha memória, os que mais se repetem.

Antes eu não era exatamente nada. Mas não com um sentido pejorativo. Eu não era nada, porque eu não conhecia direito a mania de definição ensinada pelos adultos. Essa mania e necessidade de se definir algo para que, esse algo, possa ser classificado e disposto junto dos seus similares. Não entendia de logística de sentimentos ainda. E acho que foi por isso que durante anos, muitos anos, os sentimentos, os pensamentos, as minhas impressões de mundo não foram batizados e ficaram todos juntos no cômodo único construído displicentemente por dentro da casa “eu”.

É! Um só cômodo para todos, e eles se entendiam muito bem.

Até que o monstrinho traiçoeiro da idade me viesse ocupar a mente e com a mania compulsiva de organização, confundisse tudo (às vezes acho que minha idade sofre de Transtorno Obsessivo Compulsivo, com a mania de definição, e arrumação. Ora, nem tudo precisa ser tão certinho!).

Eu copiava...
Via meu avô fumar e queria também... Via a minha tia beijar o namorado e também queria beijá-lo... Imitava os passos de dança... As obrigações domésticas... As brigas... Imitava Tudo. Não fui exatamente infeliz por isso. Tive ótimas referências.

No colo de vô, eu escutava Cartola, Nelson Gonçalves, Pixinguinha e ganhei as poesias de Castro Alves antes mesmo de eu saber do Navio Negreiro.
Meu Avô é um poema todo por si só – e sem precisar de definição.

No meu tempo, eu não era exatamente triste, ou feliz, ou eufórica... nada disso... Eu era podada como as plantas que ocupam muito espaço.
Mas, no fim das contas, eu não tinha uma definição daquele estágio presente.


(Por: Livia Queiroz)

Escrito em 22/08/2011